Educação e tecnologia na Bahia
Nelson Pretto *
Neste final de mês encerram-se na Bahia os cursos de especialização em informática educativa oferecidos pela UCSal e pela UEFS para formar os professores da rede estadual eu irão atuar nos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs). Para os não conhecedores do assunto vale uma rápida retrospectiva sobre os NTEs..
O governo Federal, articulado com os governos estaduais e municipais está implantando um ousado projeto de informatização das escola públicas brasileiras. Serão adquiridos 100 mil computadores para a montagem de laboratórios nas escolas públicas estaduais. Para dar conta de preparar os professores, em todo o Brasil, foram contratadas Universidades para oferecerem cursos de especialização, em tempos recordes, para formar os mal denominados multiplicadores. Serão professoras e professores que sairão de suas salas de aula e passarão a trabalhar nestes NTEs preparando os demais colegas para usarem computadores.
Acompanhei os dois cursos aqui da Bahia e alguns dos outros estados. Tenho sido crítico a este projeto do governo pelo que tenho chamado de alucinação temporal. Tudo é para ontem, independente da qualidade. Tenho insistido que não adianta treinar professores. Precisamos de um amplo programa de formação que garanta, antes de tudo, a continuidade daquilo que está sendo trabalhado.
O mundo contemporâneo exige profissionais em permanente formação, sem eles professores, médicos, engenheiros ou agricultores. Justamente aí entra em cena as chamadas novas tecnologias de comunicação com especial ênfase no computador conectado em rede. Em outras palavras, a Internet.
Ocorre que estes colegas que estão terminando estes cursos de especialização estão retornando para suas cidades e, lamentavelmente, estarão ainda sem locais de trabalho, pois os NTEs não estão prontos. Mas isto não é o problema maior. O pior é que depois de três meses intensivissímos estes colegas retornarão para suas cidades e se desconectarão pois ainda não possuem suas ligações locais à Internet.
Isto é profundamente lamentável e não pode acontecer. Ao longo destes meses foram produzidos conhecimentos utilizando-se da Internet e tudo isto já está disponível na rede (http://www.ufba.br/~pretto/Cursos/cursos.htm). Tudo constituindo-se no embrião do que deve ser a produção coletiva que estas novas lideranças irão estimlar por todo o Estado. Não podemos deixar este movimento arrefecer. Tenho insistido que não estamos formando multiplicadores. Não precisamos de professores treinados para usarem as máquinas. O que precisamos são lideranças educacionais que atuem de forma intensa nas suas regiões com o objetivo de transformar a educação na Bahia. Para tal é fundamental e básico a articulação com as diversas universidades públicas existentes em nosso Estado.
Por outro lado, a SEPLANTEC coordena, articulada com a UFBA e a Rede Bahia, um pioneiro e importante projeto - Infovias baianas - que implantará em 27 regiões pólos de conectivaididade total. A UFBA articula com seis outras instituições públicas e privadas a montagem de um grande projeto de alta velocidade para a região metropolitana. As universidades estaduais, corajosamente articulam seus planos de informatização e são lideranças espalhadas pelo estado. É hora de articular tudo isso. É hora de fortalecer estes 48 profissionais que estão qualificados - meio a toque de caixa é verdade! - para assumirem este período de implantação destes equipamentos nas escolas. E lá, de forma articulada com direção, professores e comunidades, fortalecer o uso fundamental das imagens das televisões, do vídeo, da informática e da conexão da escolas com a Internet. Nisto tudo, todos terão importância e precisam atuar de forma articulada. A Telebahia tem um papel importante e tenho certeza que sua presidência é sensível a isto. A TVE, importante veículo de produção de nossa imagem local se provocada, também responderá positivamente, tenho certeza. Precismaos colocar em cada escolas as imagens produzidas e geradas no Estado. Precisamos fortalecer os produtores de vídeos, cineastas, cantadores, escritores, cientistas, enfim, precisamos transformar cada escola pública em produtora de cultura e conhecimento, articuladas por todas estas novas tecnologias da comunicação.
Os provedores de Internet de Barreiras, Juazeiro, Feira, Salvador, Itabuna, Ilhéus, Jequié tem agora uma responsabilidade social que não podem fugir. Fornecer, gratuitamente neste período de transição, contas e facilidades de acesso a estes profissionais da educação que estarão formando - e não treinando! -mais e mais professores para atuarem nesta caminhada para transformar a educação em nossos municípios. As emissoras de rádio locais, os jornais, as televisões, precisam aumentar os espaços divulgando artigos, entrevistas, depoimentos deste profissionais que agora retornam com novos animos e o desejo de atuarem de forma articulada na transformação de nossa realidade educacional.
O desafio está posto. Temos este novos profissionais qualificados e precisam ser fortalecidos. Cabe agora às Secretarias de Educação, Planejamento e Cultura, à Telebahia, às Universidades, a TVE e Radio Educadora, aos provedores de acesso Internet, a todos nós, profissionais da educação, colocarmos a mão na massa, saindo à frente, de forma articulada, para este vencer este grande desafio.
* Nelson Pretto é professor da Faculdade de Educação da UFBA. E.mail: pretto@ufba.br Homepage: http://www.ufba.br/~pretto