Globalização & Educação.

mercado de trabalho, tecnologias da comunicacao, educacao a distancia e sociedade planetaria

pela Editora UNIJUI , parte da coleção Terra Semeada.

Organizado por Nelson De Luca Pretto, professor da Faculdade de educação da Universidade Federal da Bahia.

Capítulos

Apresentação. Nelson De Luca Pretto

Globalização e Educação, por José Sérgio Gabrielli - diretor da Escola de Economia da UFBA

O Banco Mundial e a Educação a Dustância por Marília Fonseca da Faculdade de Educação da UnB

Cibercultura: técnica, sociabilidade e civilização do virtual por André Lemos da Faculdade de Comunicação da UFBA

Estudo Errado: educação em tempos de pós-modernidade por Nelson De Luca Pretto da Faculdade de Educação da UFBA

 

quem são os autores

André Lemos

Doutor em Sociologia pela Sorbonne, professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Autor de diversos artigos sobre o tema.

E-mail: alemos@ufba.br Homepage: http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos

Fax: 071 336 6800

José Sérgio Gabrielli

Professor e diretor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Economia pela Boston University/1987. Mestre em Economia pela UFBA/1975.

E.mail: Gabrielli@ufba.br Fax: (071) 241 2380

Marília Fonseca

Doutora em Educação, pesquisadora associada da Universidade de Brasília. Autora de

Doutorado em Ciências da Educação na Sorbone, em Paris, entre 1986 e 1992, com a tese La Banque Mondial e l'education au Brèsil (O Banco Mundial e a Educação no Brasil). Autora de vários cápitulos

Nelson De Luca Pretto

Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Educação pela UFBA/1984. Doutor em Comunicação pela ECA/USP/1994. Entre outros, autor do livro Uma escola sem/com Futuro: educação e multimídia, pela Papirus.

E.mail: pretto@ufba.br Home-page: http://www.ufba.br/~pretto Fax: 071 235 2228

 

Equipe de produção

Ajurimar (UFBA/Pró-Reitoria de Extensão)

Alba Lúcia Gonçalves (UESC)

Alessandra Santos de Assis (UFBA/FACED)

Bete Rangel (UFBA/ Pró-Reitoria de Extensão)

Cristina Maria Martins Souza (UFBA/FACED)

Dejanir Franscisca (UFBA/FACED)

Dielson Pereira Hohenfeld Gabrieli

Helenide Melo de Andrade (UFBA/FACED)

Josely Pereira Muniz (UFBA/FACED)

Leonardo Leão (UFBA/FACOM)

Luzimar de Sousa Luz (UFBA/CNPq)

Márcio Nova da Fonseca (UFBA/DCC)

Maria do Carmo Oliveira Barbosa (SEC/BA)

Maria Luiza Tapioca (CEFET/BA)

Nelson De Luca Pretto (UFBA/FACED) - Coordenação geral

Osanita Assunção Accioly Lins (UFBA/FACED)

Sérgio Farias (UFBA/FACED)

Revisão

Flavia Azevêdo de Almeida

Projeto Gráfico

Editoração Eletrônica

Impressão

Apoios

CNPq - apoio à pesquisa Educação e novo Milênio, as novas tecnologias da comunicação e informação e a educação (1996/1998)

MEC/SESU - PROEXT

Pró-Reitoria de Extensão/UFBA

 

Apresentação

Final de milênio. Em todas as esferas, discussões sobre o futuro de cada setor de uma sociedade cada vez mais planetária. As grandes temáticas estão em aberto e soluções localizadas não respondem às questões que estão sendo postas neste momento. Buscar compreender os desafios para uma área, analisando-a somente com os seus referenciais intrínsecos, tornou-se uma tarefa absolutamente esvaziada de sentido.

Ao longo dos últimos quatro anos, um grupo de professores e estudantes da Faculdade de Educação, da Faculdade de Comunicação e do Centro de Processamento de Dados, articulado em torno do Núcleo Educação & Comunicação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, vem desenvolvendo pesquisas e ações no sentido de articular questões que relacionam as tecnologias da comunicação e informação com a educação. Uma das principais características deste Núcleo é sua proposta de entender a pesquisa, o ensino e a extensão universitária como elementos de um mesmo contexto, refletindo essas dimensões em práticas cotidianas de atuação.

Em 1997 e 1998, com financiamento do CNPq, foi desenvolvida a pesquisa Educação e novo Milênio, as novas tecnologias da comunicação e informação e a educação, tendo como objetivo principal tentar resgatar o que já se vinha fazendo neste país no sentido de introduzir as tecnologias de comunicação na educação, dando especial ênfase aos programas de educação à distância. Esses programas recomeçavam a tomar corpo no Brasil em função da nova Lei De Diretrizes e Bases (LDB) que, em seu capítulo 80, abre a perspectiva de seu uso mais intenso e, principalmente, em função da importância que o tema ganhava nas políticas públicas, inclusive com a criação, dentro do Ministério da Educação, de uma secretaria específica para esses projetos. Essa secretaria promove, hoje, a implantação de um canal exclusivo dedicado à educação - o TV Escola - além de um monumental plano de informatização das escolas públicas brasileiras.

O resultado desses dois anos de pesquisa foi ganhando corpo e impondo a necessidade de algo maior do que um relatório ou um levantamento sobre como estava - como está - a área, no momento. Como alternativa, inicialmente - e completamente sem recursos! - mantivemos um sítio na Internet com as informações e análises que vínhamos coletando e desenvolvendo. No entanto, fomos verdadeiramente, atropelados por um projeto maior, a Biblioteca Virtual de Educação a Distância, integrante do PROSSIGA, implantada pelo CNPq.

Com a aproximação dos dois projetos, esvaziamos, progressivamente, o nosso sítio e centramos fogo no fortalecimento da Biblioteca Virtual de Educação a Distância (BVEAD), da qual passei a ser o coordenador científico nacional. Com isso, buscamos dar ao projeto uma dimensão nacional e internacional que o mesmo merecia [http://www.prossiga.br/edistancia], uma vez que estávamos recolhendo um conjunto muito grande de informações.

Paralelamente a esse movimento de pesquisa, atuávamos de forma muito intensa na relação com os demais níveis do sistema público de ensino, tanto no estado da Bahia quanto no Brasil como um todo, participando de diversos eventos e programas que tinham como foco a relação entre educação e comunicação. Na Bahia, tentávamos construir um grande projeto estadual e, para tal, trabalhamos de forma articulada com o conjunto das Universidades públicas do Estado, CEFET e Secretarias de Educação, visando propiciar uma atuação conjunta desses órgãos com o objetivo de desenvolver o chamado Programa Interuniversitário Multimediático de Apoio ao Ensino Fundamental. Este projeto busca articular todas as instituições públicas de ensino superior da Bahia com o sistema público de educação básica. Ao longo das discussões que iam sendo travadas para a consecução do programa, fomos percebendo, cada vez mais, a necessidade de articular mais áreas para uma melhor compreensão desta problemática.

Nesse processo, íamos pesquisando a temática e percebendo dois movimentos simultâneos e, de certa forma, antagônicos. De um lado, um crescente movimento de utilização de tecnologias da comunicação e informação - ou pelo menos de discursos sobre a utilização - na educação, seja ela presencial, seja ela a distância. Por outro, pelo menos no estado da Bahia, o que percebemos é uma dificuldade no aprofundamento teórico destas questões pela quase ausência de uma massa crítica de profissionais qualificados para a temática.

Foi crescendo a idéia de realização de um mini-fórum de educação à distância que buscasse articular as ações das diversas Universidades envolvidas nesses programas com um uso cada vez mais intenso das redes de comunicação, para que pudéssemos constituir uma massa crítica efetiva, aglutinadora das bases operacional e teórica desses programas e projetos.

Com esse mini-fórum sobre educação à distância, queríamos sensibilizar os educadores das Universidades públicas e privadas do Estado da Bahia para a utilização do potencial das telecomunicações na implantação de um programa de educação aberta, continuada e à distância, voltado para a formação de professores, ao mesmo tempo em que introduzíamos as discussões teóricas básicas para uma compreensão mais ampla da relação entre as tecnologias e a educação.

Em julho de 1997, participamos do esforço da Pró-Reitoria de Extensão da UFBA no sentido de articular a apresentação de um projeto institucional de extensão ao MEC/SESU. Desse esforço, nasceu o PROEXT/96 - Programa Institucional de Atividades de Extensão, com o objetivo de promover a integração da UFBA com as redes públicas do Estado da Bahia e municípios (Salvador e Itaparica).

Foi um esforço conjunto para construirmos uma proposta e o nosso grupo de pesquisa Educação & Comunicação sugeriu a montagem de um grupo de estudos que articulasse as pessoas envolvidas nesse grande projeto Institucional de extensão. O objetivo seria discutir as questões contemporâneas para que pudéssemos ter um referencial teórico maior da contemporaneidade ao estarmos realizando as atividades de extensão, fosse ela a produção de um filme ou vídeo, a qualificação de professores de matemática, ciências ou qualquer outra disciplina, fosse uma atividade de pesquisa com o sistema público de ensino.

As atividades realizadas durante esse período envolveram um conjunto de professores da UFBA, dos departamentos de Letras, Biologia, Química, Educação, Comunicação, Nutrição e Biblioteconomia. Foram envolvidos também, professores das redes municipal (Salvador e Itaparica) e estadual, além de dirigentes dos órgãos da Secretaria de Educação dessas duas redes.

Dentro desses programas, reforçamos a idéia de continuarmos a trabalhar nas bases já expostas e propusemos algumas ações mais coletivas como o próprio mini-fórum, um programa de discussão teórica com os professores envolvidos no PROEXT/96 e o fortalecimento do grupo de estudos de professores da rede municipal de Salvador que atuam no Projeto Internet nas Escolas.

O mini-fórum foi então realizado em Salvador/Bahia, entre os dias 11 e 13 de dezembro de 1997, reunindo profissionais de várias áreas para debater essa febre de educação a distância que assola o país, analisando-a como parte de um contexto mundial de globalização econômica e estabelecendo, simultaneamente, links para outros aspectos dessa problemática como a sociabilidade em tempos de conexões totais, o significado e importância do ciberespaço, as redes de comunicação, o futuro da escola e a formação dos professores.

Um dos resultados de todos esses movimentos é este livro. Nele estão os principais textos que foram trabalhados ao longo desse tempo. Nosso objetivo ao publicá-los em livro é poder ampliar este debate, fazendo com que mais educadores possam refletir sobre estas questões e, efetivamente, interagir com os pesquisadores ampliando, com isso, a produção teórica sobre a temática, no Brasil.

No primeiro capítulo, José Sérgio Gabrielli, professor e diretor da Escola de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), discorre sobre o fenômeno da globalização, analisando aspectos históricos do processo e concluindo sua análise macroeconômica com a situação da educação superior. Em função do quão esclarecedor foi, transcrevemos, logo em seguida, o debate que ocorreu a partir da fala de Gabrielli. O segundo capítulo, de Marília Fonseca, pesquisadora associada da Universidade de Brasília, especialmente convidada para o mini-fórum, trata das influências do Banco Mundial nas políticas educacionais dos países que se submetem ao seu financiamento, analisando especialmente o caso brasileiro e, mais especificamente, a educação à distância. Marília Fonseca fez o seu doutoramento na Sorbone, entre os anos de 1982 e 1992 analisando o Banco Mundial. Neste trabalho ela fez uma análise profunda da relação do Banco Mundial com as políticas públicas de Educação no Brasil e, no seu retorno ao Brasil a revista VEJA publicou na suas páginas amarelas do dia 23/11/94 uma longa entrevista que gerou um requerimento do Ministro Paulo Vilaça do Tribunal de Contas da União (TCU) para analisar os empréstimos externos da União.

A presença das novas tecnologias tem introduzido modificações profundas no nosso modo se ser e sentir. O ciberespaço passa ser objetivo de estudo e André Lemos, professor e pesquisador da Faculdade de Comunicação da UFBA analisa, em seu texto, as relações humanas neste mundo impregnado de máquinas e equipamentos. André Lemos é, atualmente, coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na Faculdade de Comunicação, tendo escrito diversos artigos sobre o temas e grande parte deles estão disponibilizados em seu sítio na Internet.

Encerro esta coletânea analisando a situação do ensino brasileiro e a forma como as tecnologias estão sendo incorporadas nas escolas, refletindo mais especificamente sobre o seu futuro, com ênfase na formação dos professores. Neste texto, procuro discutir as características do mundo contemporâneo, as dificuldades que os professores estão enfrentando para vivê-lo plenamente e apresento algumas pistas sobre o que poderia ser uma transformação no nosso sistema educacional.

Espero que você, leitor desta introdução, aproveite bem este trabalho coletivo, feito por várias mãos e muitas conexões.

Nelson De Luca Pretto

Salvador, agosto de 1998.

 

 

 

Sobre os autores

André Lemos

Doutor em Sociologia pela Sorbonne, professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Autor de diversos artigos sobre o tema.

E-mail: alemos@ufba.br Homepage: http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos

Fax: 071 336 6800

José Sérgio Gabrielli

Professor e diretor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Economia pela Boston University/1987. Mestre em Economia pela UFBA/1975.

E.mail: Gabrielli@ufba.br Fax: (071) 241 2380

Marília Fonseca

Doutora em Educação, pesquisadora associada da Universidade de Brasília. Autora de

Doutorado em Ciências da Educação na Sorbone, em Paris, entre 1986 e 1992, com a tese La Banque Mondial e l'education au Brèsil (O Banco Mundial e a Educação no Brasil). Autora de vários cápitulos

Nelson De Luca Pretto

Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Educação pela UFBA/1984. Doutor em Comunicação pela ECA/USP/1994. Entre outros, autor do livro Uma escola sem/com Futuro: educação e multimídia, pela Papirus.

E.mail: pretto@ufba.br Home-page: http://www.ufba.br/~pretto Fax: 071 235 2228

 

Equipe de produção

Ajurimar (UFBA/Pró-Reitoria de Extensão)

Alba Lúcia Gonçalves (UESC)

Alessandra Santos de Assis (UFBA/FACED)

Bete Rangel (UFBA/ Pró-Reitoria de Extensão)

Cristina Maria Martins Souza (UFBA/FACED)

Dejanir Franscisca (UFBA/FACED)

Dielson Pereira Hohenfeld Gabrieli

Helenide Melo de Andrade (UFBA/FACED)

Josely Pereira Muniz (UFBA/FACED)

Leonardo Leão (UFBA/FACOM)

Luzimar de Sousa Luz (UFBA/CNPq)

Márcio Nova da Fonseca (UFBA/DCC)

Maria do Carmo Oliveira Barbosa (SEC/BA)

Maria Luiza Tapioca (CEFET/BA)

Nelson De Luca Pretto (UFBA/FACED) - Coordenação geral

Osanita Assunção Accioly Lins (UFBA/FACED)

Sérgio Farias (UFBA/FACED)

Revisão

Flavia Azevêdo de Almeida

Projeto Gráfico

Editoração Eletrônica

Impressão

Apoios

CNPq - apoio à pesquisa Educação e novo Milênio, as novas tecnologias da comunicação e informação e a educação (1996/1998)

MEC/SESU - PROEXT

Pró-Reitoria de Extensão/UFBA

 

Apresentação

Final de milênio. Em todas as esferas, discussões sobre o futuro de cada setor de uma sociedade cada vez mais planetária. As grandes temáticas estão em aberto e soluções localizadas não respondem às questões que estão sendo postas neste momento. Buscar compreender os desafios para uma área, analisando-a somente com os seus referenciais intrínsecos, tornou-se uma tarefa absolutamente esvaziada de sentido.

Ao longo dos últimos quatro anos, um grupo de professores e estudantes da Faculdade de Educação, da Faculdade de Comunicação e do Centro de Processamento de Dados, articulado em torno do Núcleo Educação & Comunicação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, vem desenvolvendo pesquisas e ações no sentido de articular questões que relacionam as tecnologias da comunicação e informação com a educação. Uma das principais características deste Núcleo é sua proposta de entender a pesquisa, o ensino e a extensão universitária como elementos de um mesmo contexto, refletindo essas dimensões em práticas cotidianas de atuação.

Em 1997 e 1998, com financiamento do CNPq, foi desenvolvida a pesquisa Educação e novo Milênio, as novas tecnologias da comunicação e informação e a educação, tendo como objetivo principal tentar resgatar o que já se vinha fazendo neste país no sentido de introduzir as tecnologias de comunicação na educação, dando especial ênfase aos programas de educação à distância. Esses programas recomeçavam a tomar corpo no Brasil em função da nova Lei De Diretrizes e Bases (LDB) que, em seu capítulo 80, abre a perspectiva de seu uso mais intenso e, principalmente, em função da importância que o tema ganhava nas políticas públicas, inclusive com a criação, dentro do Ministério da Educação, de uma secretaria específica para esses projetos. Essa secretaria promove, hoje, a implantação de um canal exclusivo dedicado à educação - o TV Escola - além de um monumental plano de informatização das escolas públicas brasileiras.

O resultado desses dois anos de pesquisa foi ganhando corpo e impondo a necessidade de algo maior do que um relatório ou um levantamento sobre como estava - como está - a área, no momento. Como alternativa, inicialmente - e completamente sem recursos! - mantivemos um sítio na Internet com as informações e análises que vínhamos coletando e desenvolvendo. No entanto, fomos verdadeiramente, atropelados por um projeto maior, a Biblioteca Virtual de Educação a Distância, integrante do PROSSIGA, implantada pelo CNPq.

Com a aproximação dos dois projetos, esvaziamos, progressivamente, o nosso sítio e centramos fogo no fortalecimento da Biblioteca Virtual de Educação a Distância (BVEAD), da qual passei a ser o coordenador científico nacional. Com isso, buscamos dar ao projeto uma dimensão nacional e internacional que o mesmo merecia [http://www.prossiga.br/edistancia], uma vez que estávamos recolhendo um conjunto muito grande de informações.

Paralelamente a esse movimento de pesquisa, atuávamos de forma muito intensa na relação com os demais níveis do sistema público de ensino, tanto no estado da Bahia quanto no Brasil como um todo, participando de diversos eventos e programas que tinham como foco a relação entre educação e comunicação. Na Bahia, tentávamos construir um grande projeto estadual e, para tal, trabalhamos de forma articulada com o conjunto das Universidades públicas do Estado, CEFET e Secretarias de Educação, visando propiciar uma atuação conjunta desses órgãos com o objetivo de desenvolver o chamado Programa Interuniversitário Multimediático de Apoio ao Ensino Fundamental. Este projeto busca articular todas as instituições públicas de ensino superior da Bahia com o sistema público de educação básica. Ao longo das discussões que iam sendo travadas para a consecução do programa, fomos percebendo, cada vez mais, a necessidade de articular mais áreas para uma melhor compreensão desta problemática.

Nesse processo, íamos pesquisando a temática e percebendo dois movimentos simultâneos e, de certa forma, antagônicos. De um lado, um crescente movimento de utilização de tecnologias da comunicação e informação - ou pelo menos de discursos sobre a utilização - na educação, seja ela presencial, seja ela a distância. Por outro, pelo menos no estado da Bahia, o que percebemos é uma dificuldade no aprofundamento teórico destas questões pela quase ausência de uma massa crítica de profissionais qualificados para a temática.

Foi crescendo a idéia de realização de um mini-fórum de educação à distância que buscasse articular as ações das diversas Universidades envolvidas nesses programas com um uso cada vez mais intenso das redes de comunicação, para que pudéssemos constituir uma massa crítica efetiva, aglutinadora das bases operacional e teórica desses programas e projetos.

Com esse mini-fórum sobre educação à distância, queríamos sensibilizar os educadores das Universidades públicas e privadas do Estado da Bahia para a utilização do potencial das telecomunicações na implantação de um programa de educação aberta, continuada e à distância, voltado para a formação de professores, ao mesmo tempo em que introduzíamos as discussões teóricas básicas para uma compreensão mais ampla da relação entre as tecnologias e a educação.

Em julho de 1997, participamos do esforço da Pró-Reitoria de Extensão da UFBA no sentido de articular a apresentação de um projeto institucional de extensão ao MEC/SESU. Desse esforço, nasceu o PROEXT/96 - Programa Institucional de Atividades de Extensão, com o objetivo de promover a integração da UFBA com as redes públicas do Estado da Bahia e municípios (Salvador e Itaparica).

Foi um esforço conjunto para construirmos uma proposta e o nosso grupo de pesquisa Educação & Comunicação sugeriu a montagem de um grupo de estudos que articulasse as pessoas envolvidas nesse grande projeto Institucional de extensão. O objetivo seria discutir as questões contemporâneas para que pudéssemos ter um referencial teórico maior da contemporaneidade ao estarmos realizando as atividades de extensão, fosse ela a produção de um filme ou vídeo, a qualificação de professores de matemática, ciências ou qualquer outra disciplina, fosse uma atividade de pesquisa com o sistema público de ensino.

As atividades realizadas durante esse período envolveram um conjunto de professores da UFBA, dos departamentos de Letras, Biologia, Química, Educação, Comunicação, Nutrição e Biblioteconomia. Foram envolvidos também, professores das redes municipal (Salvador e Itaparica) e estadual, além de dirigentes dos órgãos da Secretaria de Educação dessas duas redes.

Dentro desses programas, reforçamos a idéia de continuarmos a trabalhar nas bases já expostas e propusemos algumas ações mais coletivas como o próprio mini-fórum, um programa de discussão teórica com os professores envolvidos no PROEXT/96 e o fortalecimento do grupo de estudos de professores da rede municipal de Salvador que atuam no Projeto Internet nas Escolas.

O mini-fórum foi então realizado em Salvador/Bahia, entre os dias 11 e 13 de dezembro de 1997, reunindo profissionais de várias áreas para debater essa febre de educação a distância que assola o país, analisando-a como parte de um contexto mundial de globalização econômica e estabelecendo, simultaneamente, links para outros aspectos dessa problemática como a sociabilidade em tempos de conexões totais, o significado e importância do ciberespaço, as redes de comunicação, o futuro da escola e a formação dos professores.

Um dos resultados de todos esses movimentos é este livro. Nele estão os principais textos que foram trabalhados ao longo desse tempo. Nosso objetivo ao publicá-los em livro é poder ampliar este debate, fazendo com que mais educadores possam refletir sobre estas questões e, efetivamente, interagir com os pesquisadores ampliando, com isso, a produção teórica sobre a temática, no Brasil.

No primeiro capítulo, José Sérgio Gabrielli, professor e diretor da Escola de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), discorre sobre o fenômeno da globalização, analisando aspectos históricos do processo e concluindo sua análise macroeconômica com a situação da educação superior. Em função do quão esclarecedor foi, transcrevemos, logo em seguida, o debate que ocorreu a partir da fala de Gabrielli. O segundo capítulo, de Marília Fonseca, pesquisadora associada da Universidade de Brasília, especialmente convidada para o mini-fórum, trata das influências do Banco Mundial nas políticas educacionais dos países que se submetem ao seu financiamento, analisando especialmente o caso brasileiro e, mais especificamente, a educação à distância. Marília Fonseca fez o seu doutoramento na Sorbone, entre os anos de 1982 e 1992 analisando o Banco Mundial. Neste trabalho ela fez uma análise profunda da relação do Banco Mundial com as políticas públicas de Educação no Brasil e, no seu retorno ao Brasil a revista VEJA publicou na suas páginas amarelas do dia 23/11/94 uma longa entrevista que gerou um requerimento do Ministro Paulo Vilaça do Tribunal de Contas da União (TCU) para analisar os empréstimos externos da União.

A presença das novas tecnologias tem introduzido modificações profundas no nosso modo se ser e sentir. O ciberespaço passa ser objetivo de estudo e André Lemos, professor e pesquisador da Faculdade de Comunicação da UFBA analisa, em seu texto, as relações humanas neste mundo impregnado de máquinas e equipamentos. André Lemos é, atualmente, coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na Faculdade de Comunicação, tendo escrito diversos artigos sobre o temas e grande parte deles estão disponibilizados em seu sítio na Internet.

Encerro esta coletânea analisando a situação do ensino brasileiro e a forma como as tecnologias estão sendo incorporadas nas escolas, refletindo mais especificamente sobre o seu futuro, com ênfase na formação dos professores. Neste texto, procuro discutir as características do mundo contemporâneo, as dificuldades que os professores estão enfrentando para vivê-lo plenamente e apresento algumas pistas sobre o que poderia ser uma transformação no nosso sistema educacional.

Espero que você, leitor desta introdução, aproveite bem este trabalho coletivo, feito por várias mãos e muitas conexões.

Nelson De Luca Pretto

Salvador, agosto de 1998.