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SEGUNDA-FEIRA,
16 DE AGOSTO DE 1999 - Nº 198
O
e-clipse e a Internet
Tudo
agora é eletrônico. Ao observarmos os jornais, tanto do
Brasil como de fora, vemos a tal letra e (e-) presente em
quase tudo. O comércio, virou e-comércio, os negócios
viraram e-bussiness, os bancos estão na Internet, as
indústrias e também escolas. Já estamos falando em
e-ducação para significar uma educação eletrônica,
uma educação com acesso a todos os recursos
tecnológicos disponíveis.
O que as escolas estão fazendo na Internet e como elas
estão usando a rede é sempre uma pergunta que nos
aflige. Não resta a menor dúvida que a presença dessas
tecnologias de comunicação e informação nas escolas
é um importante fator econômico do ponto-de-vista
doméstico, já que aumentam os custos da educação
tanto privada como pública, e também das políticas
públicas, uma vez que vemos os impostos sendo usados
para o aparelhamento das escolas. Nada disso seria mal se
efetivamente estivéssemos vendo uma melhoria na
formação das crianças e jovens. No entanto não é bem
isso que acontece.
Sempre chamo a atenção quando tratamos do tema sobre a
necessidade de pensarmos em transformar as escolas -
professores, alunos, comunidade - em efetivos produtores
de conhecimento e de cultura. Digo com frequência que
precisamos das escolas na Internet e não da Internet nas
escolas, fazendo uma espécie de jogo de palavras para
tentar explicar algo que considero mais profundo. Mais do
que simplesmente sermos observadores do que acontece fora
do nosso espaço cotidiano (nossa cidade, bairro, rua) o
que precisamos é usar essas tecnologias para podermos
atuar no mundo como cidadãos que efetivamente têm o
poder de escolher e decidir. Assim, o conhecimento não
será apenas um conjunto de informações que vamos
acumulando na expectativa de, talvez um dia, poder usar.
Mas para produzir conhecimento e cultura é muito
importante conhecer o que acontece em outros lugares. Ter
a possibilidade de experimentar e interagir com os que
estão distante. Muitas vezes, isso é muito simples, e
poderia ser resolvido com um livro ou uma revista. Outras
não. No campo científico, um fenômeno que desde a
antiguidade impressiona as pessoas são os eclipses. As
predições sobre o futuro, final do mundo, catástrofes,
sempre estiveram associadas ao simples movimento
planetário que, de tempo em tempo, faz a lua passar em
frente do sol. Olhar diretamente para o fenômeno é
muito perigoso e estimula-se a observação indireta.
Mais do que isso, os eclipses são fenômenos que não
são visíveis em todos os lugares.
A Internet oferece mais essa possibilidade e um
importante eclipse como o que aconteceu no hemisfério
norte em 11 de agosto, só pode ser visto pelos
brasileiros através das imagens produzidas pelos meios
de comunicação ou na Internet.
A BBC de Londres, através da BBC Online, tem uma página
que transmitiu durante todo o tempo imagens do fenômeno
[http://www.bbc.co.uk/england/spotlight/webcam.shtml]. O
espetáculo ao vivo é maravilhoso, não resta a menor
dúvida. Em Londres, fui para o histórico Royal
Observatory em Greenwich, junto com milhares de pessoas
que estavam no observatório e no imenso parque, para ver
o fenômeno. Dentro, acompanhei a curiosidade das
crianças e dos jovens e que eram alimentadas pelo
astrônomo de plantão explicando as causas do fenômeno.
De novo pensei nas nossas escolas. Nas nossas crianças
que têm o hábito de investigar, de perguntar, são
curiosas por natureza e que, muitas vezes, encontram na
escola um espaço de repressão e de aniquilamento de
todo esse desejo de informação e conhecimento.
Em 1994 aconteceu um eclipse total visível no Brasil e
já naquela época a Internet foi usada como um
importante elemento para a educação. O Laboratório de
Software Educacional da Universidade Federal de Santa
Catarina
[http://www.edugraf.ufsc.br/eclipse/eclipse.html]
apresentou o fenômeno ao vivo e com várias discussões
e pesquisas sobre o tema que conti
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