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OPINIÃO Computadores
e educação
NELSON PRETTO
Aconteceu em Cambridge (EUA) uma reunião com cerca de 200 pessoas, vindas de mais de 40
países em desenvolvimento, para discutir o futuro das crianças e do aprendizado nesses
países.
Foram convidadas pessoas que estão trabalhando com as chamadas novas tecnologias,
especialmente computador e Internet.
Nicholas Negroponte e Seymor Papert -o criador da linguagem Logo-, presentes durante todos
os dias, são as grandes lideranças de uma fundação recém-criada para esse fim.
Trata-se da Fundação 2b1 ("to be one", em inglês: "ser um"). Ser um
num mundo tão dividido é, de fato, algo muito difícil. O site da 2b1
(http://www.2b1.org) merece ser visitado.
Durante o encontro, foi criado um país, um país somente das crianças e dos
adolescentes. Um país virtual, que pretende ser uma articulação com o mundo real. Vejo
vários problemas nessa idéia, mas não posso deixar de concordar que pode se constituir
num belo espaço para crianças e adolescentes discutirem e proporem alternativas para
este conturbado mundo em final de milênio. Para Negroponte, o Nation1
(http://2b1.org/nation1/) "é a possibilidade de as crianças ensinarem os
adultos".
Gostaria de destacar alguns pontos dessa reunião. De um lado, a iniciativa de pessoas e
instituições ricas e poderosas, que investem na melhoria das condições de vida dos
povos e na possibilidade de diminuir as desigualdades.
Penso no Brasil e vejo pouca coisa sendo feita pela iniciativa privada com o objetivo de
apoiar a escola pública para que ela possa se constituir no espaço da diminuição das
desigualdades sociais.
De outro lado, assisti ao governador da Virgínia ocidental, um dos mais pobres Estados
dos EUA, descrever a experiência de conectar todas as escolas públicas à Internet. A
companhia telefônica local se encarregou das conexões e, perguntado sobre como conseguiu
tal tarefa, ele não hesitou na resposta: "well, fiz uma pequena pressão!".
Quando há vontade política, as coisas acontecem na educação, não tenho a menor
dúvida.
Por fim, no espaço deste artigo, a fala de Alan Kay, que em 1976 criou na Xerox o
computador portátil. O resumo de sua fala coincide com aquilo que venho defendendo
cotidianamente. Não basta colocar o computador na escola. É preciso muito mais. Esse tem
sido para mim o maior desafio. Ao tempo que o projeto de informatização das escolas
está em andamento, precisamos de professores qualificados, e não basta ensiná-los a
usar a máquina.
É preciso dar condições e autonomia para que esses professores, junto com as crianças,
possam repensar a escola. Não estamos precisando colocar a Internet nas escolas. O
fundamental é colocar as escolas na Internet. Parece pouco, mas, para ser um, isso faz
uma grande diferença.
Nelson Pretto, 42, é professor da Faculdade de Educação da
Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutor em comunicação pela USP
E-mail pretto@ufba.br |